sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A dor pela perda do nosso amigo



O nosso cão ou gato, no final da sua vida, já nos terá proporcionado imensas alegrias. É nossa obrigação, portanto, garantir-lhe um fim digno, com atenção e carinho.
E não é difícil: basta que deixemos que ele permaneça ao nosso lado, um dos poucos prazeres que lhe restarão na velhice.
Quando se aproxima a despedida desta vida, o animal sabe-o por instinto. Não deve ser abandonado, mesmo que já não seja o mesmo animal bonito de antes; que tenha o pêlo a cair e um caminhar sem elegância.
O seu olhar será o único gesto que acompanhará os nossos passos. Lembre-mo-nos que dentro do seu peito cansado, ainda existe um coração, o mesmo que já vibrou com o som da nossa voz. E, quando chegar o fim, não nos devemos envergonhar, se chorarmos. Na verdade, nesse momento, acabamos de perder um amigo dedicado como poucos.



SOFRENDO A DOR DA PERDA DE UM ANIMAL QUERIDO

O luto é uma resposta normal a qualquer perda importante na vida. Acontece quando a morte veio após uma longa doença, ou quando foi um acidente súbito. Pessoas enlutadas experimentam traumas tanto físicos quanto emocionais enquanto tentam adaptar suas vidas aos abalos trazidos pela perda.

Há muito tempo os psicólogos reconheceram que o luto experimentado pelos proprietários de animais após a morte destes é o mesmo experimentado após a morte de uma pessoa. A morte de um animal de estimação significa a perda da fonte de um amor incondicional. Não há mais para o proprietário o objecto de carinho e protecção. Assim, o proprietário perde o contato com "o mundo natural." Esses sentimentos podem ser especialmente intensos nos idosos, solitários, ou casais sem filhos (para quem o animal é também um substituto da criança).

AS FASES DO LUTO

Na verdade o processo do luto não é um objecto concreto que pode ser dividido distintas. O luto é um processo contínuo, com cada pessoa vivenciando-o de uma forma forma diferente. Dividir o luto em 5 "fases" ajuda a pessoa enlutada a entender que as seus sentimentos são normais. Algumas pessoas passam rápido por todas as fases, enquanto outras parecem ficar "presas" numa fase específica. Rapidamente, as fases do luto são as seguintes:

1. CHOQUE E NEGAÇÃO-
A realidade da morte ainda não foi aceite. Ele ou ela se sente atordoado e atónito - como se tudo aquilo fosse "irreal."

2. RAIVA-
A pessoa enlutada frequentemente se volta contra a família, amigos, elas mesmas, Deus, o veterinário ou o mundo em geral. Vão aparecer também sentimentos de culpa ou medo nesse estágio.

3. BARGANHA-
Nessa fase a pessoa pede por um trato ou uma recompensa de Deus, do veterinário ou do padre. Comentários do tipo "Eu vou à Igreja todo dia se o meu animal voltar para mim" são comuns.

4. DEPRESSÃO-
A depressão ocorre como uma reacção à mudança do modo de vida ocasionada pela perda. A pessoa enlutada se sente extremamente triste, desesperançada, inútil e cansada. Ele ou ela sente falta do animal e pensa nele constantemente.

5. ACEITAÇÃO-
A aceitação acontece quando as mudanças que a perda trouxe para a pessoa se estabilizam em um novo estilo de vida.
A intensidade e a duração do processo de luto dependem de vários factores. A idade do proprietário, circunstâncias referentes à morte, relacionamento do animal com o proprietário e com os outros membros da família são todos factores importantes. Uma morte recente de uma pessoa importante na vida do proprietário também pode afectar como se lida com a morte do animal. Geralmente crianças se recuperam mais rápido , enquanto os idosos são os que mais demoram a se recuperar. Às vezes a morte de um animal de estimação vai permitir que o proprietário finalmente lamente a perda de uma pessoa cuja morte ainda não tivesse sido aceite.

A MORTE DO ANIMAL DE ESTIMAÇÃO E AS CRIANÇAS

Muitas pessoas não percebem como a morte pode ser traumática e confusa para uma criança. As crianças tendem a ficar enlutadas por um período mais curto, mas a sua dor não é menos intensa. Crianças também tendem a voltar ao assunto com mais frequência , então muita paciência é necessária quando se lida com uma criança enlutada. Algumas dicas importantes para ajudar uma criança nessa situação incluem:

1. Dar à criança permissão de lidar com a sua dor.
- contar ao professor sobre a morte do animal.
- encorajar a criança a falar livremente sobre o animal.
- dar à criança muito carinho e conforto.
- discutir a morte, o morrer e a dor honestamente.

2. NUNCA dizer coisas como "Deus levou o seu bichinho," ou o animal está "dormindo para sempre."
- A criança pode temer que Deus vá levá-la, seus pais ou seus irmãos.
- A criança pode ficar com medo de ir dormir.

3. Inclua a criança em tudo o que se passa.

4. Explique que a morte é permanente.

OS ANIMAIS SOFREM COM A MORTE?

Muitas pessoas acham difícil acreditar que animais criem laços muito fortes um com o outro. Mesmo animais que parecem mal se suportar podem exibir fortes sinais de stress quando separados. Na verdade, animais que perderam um companheiro podem exibir vários sintomas idênticos aos experimentados pelo proprietário enlutado. O animal sobrevivente pode ficar inquieto, ansioso e deprimido. Ele pode suspirar com frequência, e ter a respeito de comer e dormir. É comum que os animais procurem por seus companheiros mortos e exijam mais atenção dos seus donos.

Como o proprietário pode ajudar um animal que sofre? Atenção para as seguintes recomendações:
1. Mantenha a rotina do animal sobrevivente o mais normal possível.
2. Tente não reforçar (mesmo que não intencionalmente) as mudanças de comportamento.
- se o animal fica "escolhendo" comida, não fique trocando o "cardápio". Isso só leva a um animal ainda mais difícil.
- não exagere na atenção dada ao animal sobrevivente, já que isso pode levar à ansiedade de separação.

3. Permita que os animais sobreviventes trabalhem a nova hierarquia por eles mesmos.
- podem haver brigas enquanto isso não fica resolvido (principalmente com cachorros).

4. Não adopte um novo animal para fazer companhia para o animal sobrevivente a não ser que o proprietário esteja pronto.
- não funciona a não ser que o proprietário esteja emocionalmente pronto para um novo animal.
- pessoas que ainda estejam enlutadas não terão a energia necessária.

O proprietário deve permitir que os outros animais vejam e cheirem o companheiro morto?
Não há evidências que afirmem que esse gesto vá ajudar os animais sobreviventes, mas algumas pessoas afirmam que sim.
Geralmente tudo o que acontece é que o proprietário se sente melhor. Assim, se o proprietário deseja que os outros animais "digam adeus," então isso deve ser permitido.

FICANDO CURADO

Passado algum tempo, o processo de luto chega ao fim.
Ainda assim há diversas coisas que o proprietário entristecido pode fazer para apressar esse processo:

1. Dê a si mesmo permissão para sofrer.
- só VOCÊ sabe o que o animal representava para você.

2. Organize um tributo ao seu animal.
- faz que a perda pareça real e ajuda a concretizar.
- permita que a pessoa expresse seus sentimentos e reflicta.
- reforça o apoio social.

3. Descanse bastante, coma bem e faça exercícios.

4. Fique rodeado de pessoas que entendam o que você está passando.
- deixe que outros cuidem de você.
- se beneficie de grupos de apoio para pessoas que perderam seus animais.

5. Aprenda tudo o que puder sobre o processo do luto. - ajuda os proprietários a perceber que o que eles sentem é normal.

6. Aceite os sentimentos que vêm com a dor.
- fale, escreva, cante ou desenhe.

7. Permita a você mesmo pequenos prazeres.

8. Seja paciente com você.
-NÃO deixe que ninguém diga o quanto o processo de luto deve durar.

9. Dê a si mesmo a permissão da recaída.
- isso VAI acabar e sua vida VAI ser normal de novo.
- a dor é como as ondas do oceano: no começo as ondas vêm rápidas e fortes, mas conforme o tempo passa, elas ficam menos intensas e mais esporádicas.
- não se surpreenda se feriados, cheiros, palavras ou sons provoquem uma recaída.

10. Não tenha medo de pedir ajuda.
- grupos de apoio para a perda de animais
- conselheiros emocionais.

11. Tenha certeza de consultar sua "Força Maior."
- religiosa ou espiritual.

CONCLUSÃO

O luto é provavelmente a sensação mais confusa, frustrante e emocional que uma pessoa pode sentir. É ainda mais para proprietários de animais. A sociedade em geral não dá a essas pessoas "permissão" para demonstrar a sua dor abertamente. Dessa forma, os proprietários frequentemente se sentem isolados e sozinhos. Felizmente mais e mais recursos ficam disponíveis para ajudas essas pessoas a perceber que elas NÃO estão sozinhas e que o que elas sentem é completamente normal.

Lidando com o sentimento de Culpa

Culpa. É uma palavra que nos leva a mais profunda , mais terrível dos sentimentos de perda, horror, raiva e desespero.
Por que eu fiz o que fiz ?
Por que eu não pude fazer mais ?
Será que eu o/a coloquei para dormir cedo demais ?
Será que esperei tempo demais ?
Se eu tivesse apenas fechado o portão.
Se eu apenas tivesse percebido antes.
Se eu apenas estivesse esperado um pouco mais.
Se eu apenas tivesses procurado o veterinário antes.
Se eu apenas soubesse mais naquele momento.
Se eu apenas tivesse escutado meus sentimentos.
Seu eu apenas tivesse ido a um veterinário melhor.

E nós nos debatemos com todas estas perguntas de "Se" e " Somente". Por que nós fizemos isto ? Porque nós amamos nossos animais de estimação. Porque nós desejamos que pudéssemos ter feito mais, nós desejamos que não tivéssemos feito o que fizemos.

Mas nós não podemos trazê-los de volta. Nós não podemos mudar o que fizemos e o que não fizemos.

O que nós podemos fazer é parar de nos machucar pela culpa. Cada um de nós, da nossa maneira, fez o que achamos que era correcto no momento, usando o que nós sabíamos e sentíamos. Cada um de nós tentou fazer o melhor que podíamos e nós fizemos com a intenção de amor.

Nós somos seres humanos, com limitações e falhas. Nós não sabemos tudo . Nós cometemos erros. Mas nós os fazemos com as melhores das intenções.

Nos machucar a nós mesmos com a terrível dor adicional de culpa, é fazer descaso do amor que sentimos pelos nossos animais de estimação. Com muito, mais muito poucas excepções, nós fizemos o melhor que sabíamos fazer naquele momento. Mesmo se nós sentimos que não fizemos o que deveríamos ter feito, ou feito o que não deveria, nós aprendemos e agora todos se beneficiarão deste conhecimento.

Nossos amados animais se foram , e sem dor. Nós ainda nos torturamos com a dor da culpa e dúvida. É humano fazer isto , estamos sendo justos connosco ?

Nós amamos profundamente e o que diz que nós temos a profunda capacidade para amar, que muitos não tem. Nós somos basicamente pessoas boas. Não devíamos reconhecer esta bondade, ao invés de ficarmos nos dando dor, pelo que deveríamos ou não deveríamos ter feito ?

Nós pegamos uma criatura adorável, demos a ele (ou a ela) tudo o que podíamos. Demos carinho, passeamos, alimentamos, trocamos as caixas de necessidades, brincamos, nao dormimos nas noites de dificuldades. Nós cuidamos e fizemos tudo o que sabíamos fazer naquele momento. Nós olhámos dentro de seus olhos e sabíamos que eles nos entendiam, que nos amávamos.

Se nós não soubemos o suficiente ou cometemos um erro inocente, acreditamos que eles não nos entenderam, que nos amaram e nos perdoaram apesar disto ??? Eu acredito que sim.

Nós precisamos nos perdoar. Se nós podemos aumentar o nosso conhecimento para ajudar os outros e usarmos nossa dor para fazer coisas melhores para nossos animais, para os outros que estão sozinhos e para aqueles que estão lá fora, sozinhos e perdidos.

Nós podemos fazer a diferença. Mas somente se pararmos de nos odiarmos, e culpar-mos a nos mesmos por sermos seres humanos.

Deixe culpa ir embora. Saiba que seus bebés peludos não culpam você; eles entendem, porque eles conhecem seu coração. Perdoe-se e permita que todo o amor existe dentro de você, esteja lá para outro. Há tantos que precisam do seu amor.

Aprenda e depois ensine. Continue aprendendo, e não pare. Cada pedrinha de conhecimento e cuidado que você envia irá repercutir ao redor do mundo e continuar crescendo. E talvez um dia, todos os animais serão amados e bem cuidados, e haverá uma era de ouro para os animais e para aqueles que como nós, os amamos.

Fonte:
Margaret Muns, veterinária do Santuário Best Friends

retirado do site: http://adoptar.no.sapo.pt/

1 comentário:

  1. Já perdi amigos em conta, ao longo dos anos... ainda hoje choro por cada um deles. Acho que a dor não acaba nunca... dizem que o tempo cura tudo, mas sempre que me lembro da Pantufa, da Pitucha, da Milú e do Pierre, da Raiza e do Gorbi, do Polo, do Net... como fazer para não sentir dor? E a saudade?

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Obrigada por gostares de gatos :)
Todos os comentários são muito importantes para mim.
Ron-rons da Moody